quarta-feira, 26 de outubro de 2016

EXCLUSIVO DC - HISTÓRIAS MALUCAS DO PALÁCIO (Episódio I): Cabrão manda prender cabra


Quão doente tem de estar uma sociedade para que se gaste tanto tempo a esmiuçar uma entidade que devia ser responsável – falo da Presidência da República; e quão doente tenho eu de estar para contar esta história? A resposta a estas duas questões só pode ser: muito doente. Evidentemente. Ora bem.

Há pouco menos de 1 ano, uma cabra (sim, um animal, um caprino), foi apreendida pelos militares do palácio da República por estar a rodear o edifício...logo, foi tomada como suspeita e, porque não?, muito perigosa. Esta história aconteceu, e qualquer coincidência com o que vai ler a seguir, é pura ficção. Ou realidade.

Dizia eu que militares afectos ao palácio apreenderam uma cabra. Devia estar a incomodar, a protestar talvez...levaram-na então ao colo até às traseiras do palácio e amarraram-no a um gerador. Esperavam agora que o dono da conspiradora chegasse. O que falaram com a cabra eu não sei, porque não estive presente, mas dava o céu e a terra só para assistir ao paleio...

O dono da cabra, vizinho do palácio, foi finalmente alertado do sucedido, por outro vizinho. Mas ele, incrédulo com o que acabara de ouvir, de tanto não acreditar no sucedido, mandou um amigo - o Djonsa: "Aconteceu isto, e quero que vás lá saber o que se passa." E la foi o Djonsa, entretido da vida. Vai directo ao oficial do Dia e explica-lhe o sucedido.

Este, meio sério meio a gozar, atira: "Uma cabra? Falas de um animal, certo? Mas quem é que prende uma cabra?!". O pobre do Djonsa garante-lhe que a cabra foi mesmo 'presa'.

- "Dê-me um minuto que vou tentar saber", diz o militar de serviço. Contudo, quando regressa, as notícias não são as que o Djonsa obviamente esperava. "Por acaso, foi 'presa' uma cabra branca. Está amarrada a um gerador no quintal..."

O Djonsa aguentou firme a gargalhada, que só não saiu porque...com a tropa nunca se sabe. Ainda assim, foi corajoso, manteve-se firme e perguntou: "Então, e agora? A propósito, o que é que a cabra fez mesmo?!" O militar não esboçou um sorriso nem mexeu um músculo. Segundos depois, limitou-se a um encolher de ombros e desapareceu da frente do pobre do Djonsa.

A cabra em questão podia ser vista - e afagada por quem quer que lá passasse - na esquina oposta à sede do PAIGC. O dono lá mexeu os cordelinhos e a pobre da cabra foi solta (não, não consta que milhares de guineenses a tenham ido receber como um autêntica heroína...)

Mas o melhor estava ainda por vir. O dono da cabra recebeu nesse mesmo dia a visita de um juiz do Supremo Tribunal de Justiça e a quem, divertido, contou este episódio. Foi o bom e o bonito.

- "Uma cabra?", atirou, nervoso, o juiz. "Mas quem pode prender um animal? A cabra é inimputável!!!", atirou o juiz. De seguida chamou-lhe o artigo, a alínea que dizem isso mesmo. O dono da cabra, esse, estava perdido de riso. Ria a bandeiras despregadas, enquanto o juiz decretava e debitava sentença atrás de sentença.

Então, depois de ouvir boquiaberto esta história formidável, perguntei ao meu amigo, o dono da desafortunada cabra: "Mas e a cabra, ainda atravessa a estrada para o palácio?". O dono do animal olhou-me com ternura e respondeu. "Agora? Agora só vai até à sede do PAIGC. Se calhar puseram-lhe um chip lá no palácio... para se manter longe!!!"
AAS