sexta-feira, 18 de novembro de 2016

OPINIÃO AAS: José Mário Vaz rumo ao abismo


As indicações disponíveis vão no sentido de que o Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, vai nomear Umaro Cissoko (u o Raimundo Pereira) como Primeiro-ministro. O que se passa na cabeça deste Presidente?

Nomear alguém sem qualquer experiência política, num momento em que há uma profunda crise política no país é irresponsável. Como poderá um indivíduo inexperiente navegar as águas das profundas divergências e clivagens entre os partidos políticos?

Nomear alguém sem qualquer formação relevante e sem nenhuma visão de desenvolvimento é irresponsável. Como poderá liderar sem uma visão clara e uma estratégia para tirar o país do marasmo social em que se encontra com as tensões ao rubro? (escolas fechadas, hospitais e centros de saúde em coma, fornecimento de energia eléctrica bastante irregular, etc)

Nomear alguém com valores morais duvidosos é irresponsável. Há dias Umaro Cissoko fez circular na internet um fabuloso currículo que todos os que o conhecem minimamente sabem que é falso. Alguém que mente de forma aberta e sem qualquer problema sobre o seu currículo não dispõe de autoridade moral para liderar. Em países desenvolvidos, vêem-se ministros a demitirem-se por causa de licenciaturas falsas.

José Mário Vaz devia escrutinar. Não vai fazê-lo. Isso não lhe interessa. Vai nomear Cissoko, porque este prometeu-lhe que pode trazer muito dinheiro para o país e para as campanhas políticas do Presidente.

Diante da falácia que é o Umaro Cissoko, nomeá-lo para ser o principal interlocutor do nosso país junto da comunidade internacional é irresponsável. O homem não goza de nenhuma credibilidade e será visto com desconfiança. Em Conakry, durante a mediação Konde, seu nome foi descartado por recomendação de algumas organizações internacionais.

Nomear um segundo elemento dos 15 (Umaro Cissoko) depois de Baciro Djá no espaço de seis meses como forma de resolver uma crise política profunda, em detrimento de partidos maioritários (PAIGC e PRS), é irresponsável. A nossa democracia é partidária e compete aos partidos indicar nomes para Primeiro-ministro.

A insistência de José Mário Vaz em dar primazia a um grupo só prova, uma vez mais, a sua tendência divisionista e faCcionista. Baciro Djá falhou. Em vez de procurar soluções sérias, José Mário vai apostar num outro elemento próximo dos 15.

Nomear o Umaro Cissoko (ou mesmo o Rimundo Pereira) sem dar conhecimento aos partidos com assento parlamentar é irresponsável (e inconstitucional). Ouviu-se o I Vice-Presidente do PAIGC há dias a dizer que perguntaram ao Presidente José Mário Vaz durante as auscultações quem ele tenciona nomear Primeiro-ministro e o Presidente respondeu que não revelava o nome. A auscultação não serviu para nada. É como se não tivesse havido.

Ora, o Primeiro-ministro é politicamente responsável perante o Parlamento. Por isso, os partidos devem saber quem o Presidente quer nomear para se posicionarem, aquilatando a possibilidade do Primeiro-ministro nomeado vir a ser capaz de fazer passar o seu Programa no Parlamento.

Se o Presidente nomear sem relevar o nome aos partidos, o acto estará ferido de inconstitucionalidade formal por falta de auscultação prévia. Mas José Mário Vaz acredita que o seu Supremo Tribunal de Justiça estará aí para produzir um Acórdão que lhe dará razão o que quer que ele faça.

Com a nomeação do Baciro Djá, José Mário Vaz já tinha provado que é irresponsável. De irresponsabilidade em irresponsabilidade o Presidente está a conduzir o país irremediavelmente para o abismo. AAS