sábado, 19 de novembro de 2016

Quase rapto


Fui jantar há pouco no Kais. Sozinho, como convém. Já quase a acabar, um amigo estaciona o jeep e logo a seguir vejo uma pick-up Toyota, branca, com a placa amarela: MI - Ministério do Interior em relanti. Dentro do carro, pude vislumbrar quatro pessoas, ou melhor sombras. Duas à frente e duas atrás.

O amigo que acabara de estacionar, veio sentar-se à minha mesa. A pick-up finalmente parou e lá de dentro ficaram a olhar para mim fixamente por um ou dois minutos. Calmamente, perguntei ao meu amigo se tinha reparado na cena. A resposta saiu limpa: "Por acaso reparei. E estava a pensar o mesmo que tu."

- Tenho de sair daqui rapidamente, disse-lhe. Ele mudou de mesa e eu chamei o empregado, pedi a conta, paguei e desapareci.

Avisei do sucedido a três amigos meus, militares - a quem também dei conta da quase agressão de que ia sendo alvo, hoje, ao fim da manhã por parte do director-geral do Tesouro - o Aníbal, que é o proprietário da casa onde funciona a...sede nacional do PRS!

Mas, por motivo de rendas atrasadas que este partido parasita tem para com o Aníbal, avultadas, no entender de quem sabe, lá o nomearam na semana passada para o cargo de director-geral do Tesouro. O Aníbal já fora nomeado para o mesmo cargo durante a transição. E agora, outra vez. Grandes rendas...

Voltando à vaca fria. O que aconteceu hoje durante o jantar não seria uma detenção mas sim rapto. Que me lembre, não cometi nenhum crime desde que regressei a Bissau em abril. E ainda que tivesse cometido, deveria primeiro ser notificado...

Sendo assim, não vejo razão nenhuma para ser raptado, ainda para mais num sábado à noite. Tenho perfeita noção do perigo que corro, sei que há muita gente incomodada com o meu blogue, mas raptar-me não resolverá o problema. Pelo contrário.

Se querem mesmo uma ajudinha, cá vai: prendam os ladrões que se pavoneiam no governo e na presidência da República, imbuídos de grande incompetência; prendam o próprio presidente da Republica, até porque ele já tem uma acusação formal à espera de julgamento. Mas se a ideia é mesmo o rapto (coisa de cobardes) então aproveitem e enfiem-me dois balázios na cabeça. AAS