quinta-feira, 27 de julho de 2017

OPINIÃO AAS: JOMAV, amar homens é diferente de "dar de comer" AO POVO

25 anos depois, a Guiné-Bissau faz um recrutamento para cumprimento do serviço militar obrigatório. Estranho, pois o país vive há dois anos em plena e caricata INCONSTITUCIONALIDADE, sem programa de Governo nem Orçamento de Estado. 750 almas.

Com os professores, os médicos e toda a função pública sem salários; com greves por todo o lado, com as empresas em dificuldades, uma greve geral de dois dias à porta, pergunto: para quê a pressa mesmo neste recrutamento?

Já sei. JOMAV quer armar os seus, só pode!!! JOMAV, para que conste, NÃO QUER MAIS LARGAR O CARGO QUE OCUPA, e isso certamente será o próximo desafio para os democratas deste país! Terá uma guerra sem quartel!!!

Obviamente, esta medida maluca e completamente extemporânea vai servir apenas para engrossar e de que maneira a colossal massa salarial deste Estado de idiotas. A tropa é que não está para brincadeira e adiantou-se há muito (já pegou perto de 500 mil dólares adiantados). "292 milhões para vestir, calçar e alimentar MANCEBOS" AQUI:



O dinheiro, esse, só pode vir de fontes suspeitas, e este ‘governo’ deve uma explicação ao país - e sem demoras. Recrutamento em que condições e para quê? Qual foi o critério para o recrutamento? É gente com escolaridade suficiente, ou... O país corre perigo? Não seria melhor reformar as forças armadas primeiro e só depois recrutar mancebos?

Sabemos que durante o nefasto período de ‘transição’ - depois do golpe contra o PAIGC e Carlos Gomes Jr. - , a tropa forjou igualmente um ‘recrutamento’. Todos os civis que participaram nesse golpe FORAM INCORPORADOS à pressa - eu sei e tenho as provas. Durante esse período, dois agentes de segurança foram mortos…

Eu cumpri o serviço militar. Primeiro, em 1986, na ilha de Bolama. A tropa não tinha condições nenhumas para ter lá centenas de homens. Um dia, já fartos de tudo aquilo, resolvemos a coisa com um levantamento de rancho. Assustados, pegaram em 600 homens e mandaram-nos de volta para Bissau. Ficaram 100 em Bolama, entre eles o general Zamora Induta e o oficial superior da Marinha, ‘Toninho’ Nogueira.

Em março de 1987, fomos chamados e ala para Cumeré. Um senhor recrutamento, o melhor na história da Guiné-Bissau. Tudo novo: camas, colchões, fardamento, botas, cantis, t-shirts de todas as cores com a inscrição FARP, cinturões, até armas AK 47!!! Foi a bebedeira geral. Tínhamos tudo. E um comandante dado a maluquices: Isnaba Sambu, já falecido.

Um dia, numa marcha longa, a coluna sofreu duas baixas. Dois mortos. Um camião desgovernado, carregado de cibe, passou por cima deles. Uma tragédia por culpa dos instrutores e do próprio comandante - não havia, como fora sugerido, sinalização nenhuma… E ainda assim a marcha continuou.
Eu vou estar atento a esse recrutamento!!! AAS